Replantando Vida está entre os 500 melhores projetos socioambientais da América Latina
Foto: Luis Alvarenga
A Cedae concorre mais uma vez ao Premios Verdes, que reconhece projetos de impacto socioambiental da América Latina e do Caribe. O programa Replantando Vida, que alia restauração florestal à ressocialização de pessoas em cumprimento de pena, está entre os finalistas nas categorias “Desenvolvimento Humano” e “Ecossistemas Terrestres”. A cerimônia será realizada entre os dias 19 e 22 de outubro, em Cuenca, no Equador.
A edição deste ano recebeu 2.087 inscrições de organizações de 21 países. Após avaliação de especialistas, os trabalhos mais bem classificados avançaram para a etapa seguinte, formando o ranking dos 500 melhores projetos socioambientais. O Replantando Vida figura entre os 14 representantes brasileiros selecionados e vai participar, até outubro, de processo de aceleração e capacitação promovido pela organização da premiação.
Esta é a terceira vez que o programa está entre os 500 melhores do Premios Verdes, repetindo o feito alcançado em 2020 e 2022. Na mais recente participação, a Cedae conquistou o segundo lugar na categoria “Resíduos/Reciclagem” com o trabalho “Reciclagem Florestal do Lodo de Esgoto”, sendo a única instituição brasileira a chegar à final naquele ano.
Entre os diferenciais que levaram o Replantando Vida à classificação nesta edição está a metodologia pioneira que transforma desafios sociais e ambientais em uma solução integrada. O Brasil possui a terceira maior população carcerária do mundo, com mais de 700 mil pessoas privadas de liberdade. No estado do Rio de Janeiro, menos de 4% dos apenados têm acesso ao trabalho. Ao mesmo tempo, a Mata Atlântica, bioma essencial para a proteção e conservação das bacias hidrográficas, mantém apenas 27% de sua cobertura original.
Nesse contexto, o programa da Cedae capacita e emprega apenados na produção de mudas nativas, recuperação de áreas degradadas e proteção de mananciais estratégicos para o abastecimento público. A iniciativa amplia oportunidades de reinserção social enquanto contribui para a conservação de ecossistemas.
Ao longo da trajetória, o Replantando Vida já plantou 4,5 milhões de mudas nativas da Mata Atlântica e contribuiu para a restauração de cerca de 2 mil hectares de áreas prioritárias para a conservação de nascentes e mananciais. Aproximadamente 6 mil pessoas passaram pelo programa, consolidando a Cedae como a empresa que mais emprega mão de obra de pessoas em cumprimento de pena no país.
Atualmente, 556 apenados atuam em diferentes frentes de trabalho, como viveiros florestais, plantio, oficinas de costura, distribuição de água ao público (aguadeiros), além de serviços de limpeza e manutenção. Os participantes recebem salário-mínimo, auxílio-transporte e alimentação, além do benefício de redução de um dia de pena a cada três dias trabalhados.
A estrutura conta com oito viveiros florestais distribuídos em regiões estratégicas do estado, com capacidade para produzir, anualmente, até 2,3 milhões de mudas de 260 espécies nativas da Mata Atlântica, incluindo 40 ameaçadas de extinção.
- O nosso programa mostra que pessoas historicamente excluídas podem ser protagonistas na restauração florestal. Esse legado se reflete tanto na vida de quem participa quanto nos territórios que ajudamos a recuperar - destaca Alan Abreu, gerente de Restauração Ambiental da Cedae e autor do trabalho inscrito no Premios Verdes.
Reconhecido nacional e internacionalmente, o Replantando Vida acumula 36 prêmios e selos voltados à sustentabilidade e à responsabilidade social.
Sobre o Premios Verdes
O Premios Verdes é uma iniciativa internacional que reconhece ações alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Reúne empresas, governos, organizações da sociedade civil, startups e empreendedores de diversos países da América Latina e do Caribe. Os trabalhos inscritos passam por avaliação técnica, e os mais bem pontuados integram o ranking das 500 melhores iniciativas de cada edição.