
Quando inclusão social e restauração florestal caminham juntas, o resultado é um programa pioneiro que transforma realidades. Neste 1º de maio, o Replantando Vida, da Cedae, celebra 25 anos. A iniciativa nasceu com um objetivo duplo: proteger os recursos hídricos do estado e oferecer oportunidades de trabalho, capacitação e geração de renda a apenados do sistema prisional.
Ao longo desse período, o Replantando Vida já plantou 4,5 milhões de mudas nativas da Mata Atlântica e restaurou cerca de 2 mil hectares de áreas prioritárias para a conservação de mananciais e nascentes. Cerca de 6 mil pessoas já participaram do programa, consolidando a Cedae como a empresa que mais emprega mão de obra de pessoas em cumprimento de pena no país.
O Replantando Vida coleciona 36 prêmios e selos nas áreas de sustentabilidade e responsabilidade social. O mais recente, o Prêmio de Responsabilidade Social do Poder Judiciário e Promoção da Dignidade, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi concedido nesta semana.
- Este é o maior projeto que integra ressocialização e preservação ambiental no país, contribuindo diretamente para a restauração florestal e a segurança hídrica do Estado - afirma o presidente da Cedae, Rafael Rolim.
Linha do tempo
A iniciativa começou em 2001, com 30 participantes atuando em obras de abastecimento de água, em parceria com a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen), a Fundação Santa Cabrini e a Vara de Execuções Penais (VEP). Com os resultados positivos, as atividades foram ampliadas e passaram a incluir a confecção de uniformes, jardinagem e apoio operacional.
Em 2008, houve a expansão para a área ambiental, com a formação das primeiras equipes de restauração florestal, voltadas à recuperação do Rio Macacu. A partir daí, o Replantando Vida passou a atuar diretamente na recomposição de matas ciliares e áreas degradadas.
Hoje, são 556 apenados em atividade. As frentes de trabalho incluem viveiros florestais, plantio, oficina de costura, distribuição de água ao público (aguadeiros), além de serviços de limpeza e manutenção. Os participantes recebem salário-mínimo, auxílio-transporte e alimentação, além do benefício de redução de um dia de pena a cada três dias trabalhados.
- O Replantando Vida é referência nacional e, acima de tudo, uma história de pessoas. É a comprovação de que a transformação real é possível quando oferecemos trabalho, dignidade e uma segunda chance - destaca Almir Moura, assessor de inclusão socioambiental.
Estrutura e impacto ambiental
O Replantando Vida conta com oito viveiros florestais em áreas estratégicas para apoiar a recuperação ambiental em diferentes regiões do Estado. As unidades são responsáveis pela produção anual de até 2,3 milhões de mudas de 260 espécies nativas da Mata Atlântica, entre elas 40 ameaçadas de extinção.
Os viveiros estão localizados na Estação de Tratamento de Água (ETA) do Guandu, em Nova Iguaçu; na Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) de São Gonçalo; no Reservatório Victor Konder, em Campo Grande; na Caixa Velha da Tijuca; no Morro do Adeus, no Complexo do Alemão; na Colônia Penal Agrícola de Magé; na Penitenciária Luis Fernandes Bandeira Duarte, em Resende; e no Presídio Norberto Ferreira de Moraes, em Itaperuna.
O alcance do programa também se reflete em projetos de grande escala. Em 2023, foi lançado o Corredor Tinguá-Bocaina, iniciativa que prevê a recuperação de mais de 30 mil hectares até 2050, com o plantio de 70 milhões de mudas. A área abrange nove municípios e regiões fundamentais para o abastecimento de água no estado, incluindo o Rio Guandu e a represa de Ribeirão das Lajes.