Foto: Luis Alvarenga
Duas estagiárias da Cedae disputam a final da etapa nacional do Prêmio Jovem da Água de Estocolmo de 2026, que acontece nesta segunda-feira (1/6). Ana Alice da Silva, de 17 anos, e Gabriele Cardoso, 18 anos, estão concluindo a criação de aplicativo que vai permitir identificar, usando um telefone celular, o risco de contaminação de um manancial por cianobactérias (microrganismos que podem alterar a qualidade da água). Caso sejam escolhidas, elas disputarão a final mundial da premiação, em agosto, na Suécia.
Estagiárias da Assessoria de Conformidade e Regularidade da Gerência Geral de Controle de Qualidade e Tratamento e alunas do curso de Meio Ambiente do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Ana Alice e Gabriele criaram um teste simples e de baixo custo que funciona como um “alarme”. Basta coletar uma amostra de água e filtrá-la usando sistema de filtração por membrana. Em seguida, usando o aplicativo, é só fotografar o filtro e obter o diagnóstico de risco.
O aplicativo analisa e classifica automaticamente a concentração de massa sólida, gerada pelo crescimento de cianobactérias na amostra, por um sistema de cores: quanto mais intensa a cor, maior a presença de microrganismos, e maior o risco de produção de cianotoxinas.
- Nossa ideia era criar um sistema de prevenção que atendesse estações de tratamento de água pequenas, que não contam com laboratório moderno, e regiões com pouca infraestrutura, como cidades pequenas – explicou Gabriele. Durante os testes, elas utilizaram sistema de filtração que custa cerca de R$ 1mil.
Metodologia
Para criar o sistema, Ana Alice e Gabriele realizaram experimento de um mês em laboratórios da Cedae. Amostras de água foram coletadas na Lagoa Grande do Rio Guandu, próximo ao ponto de captação de água bruta, e mantidas em uma incubadora em condições ideais para o crescimento das cianobactérias: em banho-maria, em temperaturas de cerca de 35°C, com períodos de 12 horas de luz e 12 horas de escuridão e adição de nutrientes.
Neste período, foram feitas análises laboratoriais de diversos parâmetros físico-químicos - como concentração de cianobactérias, sólidos suspensos totais, pH e cianotoxinas, entre outros – que indicam o risco de alteração na qualidade da água.
A cada três dias, durante as análises de sólidos suspensos totais, as amostras eram filtradas e os filtros, fotografados. As fotos eram analisadas utilizando o software ImageJ.
- Observamos que quanto maior a concentração de biomassa no filtro, maior a intensidade da cor registrada na membrana filtrante. A observação foi comprovada pelas análises laboratoriais, estabelecendo relação direta entre a intensidade da cor e a concentração de cianobactérias – explicou Ana Alice.
Classificação de risco
A partir daí, elas criaram um sistema de classificação para identificar risco baixo de contaminação (filtro claro ou branco); risco moderado (verde amarelado), que já indica o início da floração das cianobactérias; e crítico (verde intenso ou musgo), com alta probabilidade de liberação de cianotoxinas.
A intenção das jovens cientistas é disponibilizar a tecnologia para o público gratuitamente, e quem sabe, vê-la adotada por empresas, governos e prefeituras para implantar, de forma mais barata e imediata, o monitoramento de mananciais em regiões carentes.